Ontem estava na loja e chegou uma cliente toda aflita. Ela tinha comprado uns produtos comigo no dia anterior e estava nervosa querendo saber se tinha passado tudo certinho no rosto. Respondi que estava ótimo, olhei bem de perto, tipo como se fosse expert no assunto, com expressão séria e dei o veredito: sim, tá linda!
Aí ela explicou que estava nervosa porque dali a uma hora ia ter um date, "o date", o date mais importante EVER, segundo ela. Mandei na lata: "é com o ex?". Ela me olhou muito surpresa e perguntou como eu tinha adivinhado. "Elementar, minha cara: perfeição a gente só quer para passar na cara do ex". Se você vai a um date normal, assim, com um cara que você ainda não conhece, você quer parecer bonita, esperta ou inteligente (ou tudo junto), mas meio que você quer ser você mesmo. É meio que isso aí, a mensagem é "o pacote é esse, curtiu?". Agora, se o lance é encontrar o ex as mensagem são várias e muito complexas, principalmente se é caso de pé na bunda ou reconquista. Você quer é sambar na cara do sujeito, mas com classe, estilo que Viviane Araújo sempre prega, "sensual sem ser vulgar" (um caso clássico de faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, não é mesmo?)
Tudo tem quer meticulosamente pensado. Não dá para chegar super feliz e ocupada e cheia de vida porque é óbvio que é fake. Não dá para usar um decotão ou saia muito curta porque entrega o desespero, maquiagem muito pesada significa que ficou muito tempo se produzindo, cara de cachorro que caiu da mudança gera pena... A equação é complexa. Como eu disse para a sujeita, "been there, done that", simpatizei com a causa e começamos juntas a analisar cuidadosamente toda a produção. Ela estava com uma roupa ótima, nada muito over, super chique, elegante, mas casual (pensa que é fácil atingir o resultado?). Ajudei com o make, fizemos somente uma pele perfeita, um blush saúde e nada mais. Tadinha, ela estava tão insegura, me apeguei.
Quando acabamos ela ficou contente e prometeu voltar na loja para me contar como foi. Tô na torcida. Não é fácil arrumar homem em Londres, gente. Tadinha
quinta-feira, 21 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Verão? Onde?
Antigamente a parte boa de se morar em Londres é que você ganhava muito mais do que toda a Europa, aí quando viajava era a pessoa mais rica do camping. Agora nem isso mais existe, outro dia fui para Lisboa e na hora de trocar minhas ricas libras por euro ficou elas por elas, 165 pounds viraram 160 euros! Pô, tá de sacanagem, né? Isso aqui não era para ser uma puta moeda forte?! Azedei, mas tudo bem, Portugal tá na merda, lá é tudo baratinho e continuarei sendo a rica do camping. Só que aí você chega em Lisboa e vê aquele céu azul, nenhuma nuvem, calor civilizado de 26C, ventinho refrescante, praia, peixes bem temperados, pessoas falando português, toda uma vida simples de táxis que custam 4 euros e pensa: tem alguma coisa muito errada com o verão inglês.
Na boa, tudo bem chover, tudo bem uns dias mais frios, tudo bem que não existe a possibilidade de não usar meia-calça a noite, tudo bem o taxi custar 20 libras, tudo bem o peixe ter gosto de sabão, mas aí pelo menos vamos fazer uma moeda que valha todo esse sacrifício, né não?!
Eu tava meio conformada com o clima daqui, sabe? Tava já naquele modo "ah, tá quase calor, 20C é quente, poxa", mas ir a Lisboa e ver aquelas praias lindas, aquele gente bronzeada mostrando seu valor me fez muito mal. Esfregaram a alegria de viver na minha cara, sambaram na minha modesta felicidade por ter saído do inverno. Deprimi
Na boa, tudo bem chover, tudo bem uns dias mais frios, tudo bem que não existe a possibilidade de não usar meia-calça a noite, tudo bem o taxi custar 20 libras, tudo bem o peixe ter gosto de sabão, mas aí pelo menos vamos fazer uma moeda que valha todo esse sacrifício, né não?!
Eu tava meio conformada com o clima daqui, sabe? Tava já naquele modo "ah, tá quase calor, 20C é quente, poxa", mas ir a Lisboa e ver aquelas praias lindas, aquele gente bronzeada mostrando seu valor me fez muito mal. Esfregaram a alegria de viver na minha cara, sambaram na minha modesta felicidade por ter saído do inverno. Deprimi
Such a nice weather, inn it?
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Pertence, não pertence
Tem uma coisa que me incomoda aqui para caramba (só uma? vocês pensaram) que é o fato de eu não ter um lugar meu, sabe? Não, não estou falando de casa própria, mas sabe quando você tem o "seu" bar, a "sua" barraca na praia, o "seu" café? Pois é, não tenho nada disso aqui. Até tem uns pubs que eu frequento mais e tals, mas não a ponto de chamar de meu. Mesmo o pub aqui em frente de casa só devo ter ido uma meia dúzia de vezes (falta de companhia é foda).
Tava ontem num café que adoro num dos meus lugares favoritos daqui, em Bricklane, e pensava nisso. Tava na calçada numa mesa, sozinha, tomando um café e fumando um cigarro e pensando nisso e observando as pessoas. Daí me dei conta que não tinha muito sentido esse sentimento de "não pertencer" porque afinal de contas aqui é uma grande conferência da ONU e acho que nem 20% do povo que mora aqui é really Londoner.
Mas aí me toquei que o grande lance é que nunca me senti em casa aqui. Outro dia tava conversando com um amigo brasileiro e perguntei quando ele pretendia voltar para o Brasil e ele respondeu que não pretendia voltar, pois "Londres agora era a casa dele, sabe?". Não, não sei. Mesmo. Essa é um conversa recorrente entre os brasileiros que moram aqui, "quando vc volta?" e a resposta dele é a que mais ouço: "cara, já moro aqui a x anos (um, dois ou dez), aqui agora é a minha casa". Eu acho isso esquisitíssimo, juro! Por outro lado, outro dia conversava com outra amiga, o mesmo papo, e ela disse que não sabia se conseguiria voltar para o Rio pois já morava fora há muito tempo, mas em países diferentes. Ela disse que invejava a minha certeza de que o Rio era o meu lugar e minha vontade inabalável de voltar para casa. E eu achei engraçado isso, pois foi um ângulo que nunca pensei. De repente ela tem uma sensação bem pior, que é o de não pertencer a nenhum lugar. Ao passo que eu não tenho a menor dúvida que o Humaitá é o melhor lugar do mundo (e o melhor bairro do Rio, como todos sabem ou deveriam saber).
Mas vai ver que é como um paulista que trabalha comigo aqui diz: "carioca não fica em Londres. Pode ver, se é brasileiro morando aqui carioca não é. Vocês não aguentam ficar longe da praia"
Tava ontem num café que adoro num dos meus lugares favoritos daqui, em Bricklane, e pensava nisso. Tava na calçada numa mesa, sozinha, tomando um café e fumando um cigarro e pensando nisso e observando as pessoas. Daí me dei conta que não tinha muito sentido esse sentimento de "não pertencer" porque afinal de contas aqui é uma grande conferência da ONU e acho que nem 20% do povo que mora aqui é really Londoner.
Mas aí me toquei que o grande lance é que nunca me senti em casa aqui. Outro dia tava conversando com um amigo brasileiro e perguntei quando ele pretendia voltar para o Brasil e ele respondeu que não pretendia voltar, pois "Londres agora era a casa dele, sabe?". Não, não sei. Mesmo. Essa é um conversa recorrente entre os brasileiros que moram aqui, "quando vc volta?" e a resposta dele é a que mais ouço: "cara, já moro aqui a x anos (um, dois ou dez), aqui agora é a minha casa". Eu acho isso esquisitíssimo, juro! Por outro lado, outro dia conversava com outra amiga, o mesmo papo, e ela disse que não sabia se conseguiria voltar para o Rio pois já morava fora há muito tempo, mas em países diferentes. Ela disse que invejava a minha certeza de que o Rio era o meu lugar e minha vontade inabalável de voltar para casa. E eu achei engraçado isso, pois foi um ângulo que nunca pensei. De repente ela tem uma sensação bem pior, que é o de não pertencer a nenhum lugar. Ao passo que eu não tenho a menor dúvida que o Humaitá é o melhor lugar do mundo (e o melhor bairro do Rio, como todos sabem ou deveriam saber).
Mas vai ver que é como um paulista que trabalha comigo aqui diz: "carioca não fica em Londres. Pode ver, se é brasileiro morando aqui carioca não é. Vocês não aguentam ficar longe da praia"
segunda-feira, 4 de julho de 2011
O verão e moda jovem (que como todo munda sabe, tá cada dia mais...)
Enfim chegou o verão em Londres, e junto com a estação mais quente (ou menos frio) do ano podemos observar a estranha mutação nas vestimentas das moças europeias. Calor não é muito o forte das gringas e ouso dizer que elas se atrapalham um pouco nesses três meses de sol.
Como bem ensinou minha professora da pós, "when you see something once, it's new, if you see twice it's coincidence and if you see three times, it's a trend". Partindo desse princípio podemos afirmar que laranja é o tom de pele tendencinha. Como negócio de sol aqui é meio raro, bronzeamento artificial bomba. Vale tudo, creme, cama de tanning, jet, até coca-cola. O importante é atingir aquele tom de pele horroroso que entrega na hora que você não esteve numa praia paradisíaca nas últimas semanas.
Também sou obcecada com as maquiagens. Não que elas não exagerem o ano todo, mas, amiga, tira essa argamassa do rosto pois tá quente e não tá ornando. Além do tanning, é importante usar muita, mas muita, base, de preferência uns dois tons acima do seu e deixar o pescoço de outra cor. Aí manda ver nas camadas para ficar beeeeem coberto tudo e esconder todas as imperfeições da cara (NOT). Aí, não importa a hora da manhã, mas elas estarão lá de cílios postiços, muito rímel (óbvio), muito lápis preto, muito blush e muito batom. Entendeu o esquema?
As unhas são um fascínio à parte. Primeiro que elas precisam ser postiças e enormes (claro) e com desenhos, apliques, cores sem sentido, um horror. Daí tem as roupas. O lance dos looks são as camadas, muitas camadas, shorts mini, com camisetas por baixo de outra camiseta por cima, um casaquinho, um cinto, colares, bota (oi?) ou havaiana (sempre na ordem e momento errado) e sei lá mais o quê.
A única coisa que realmente invejo é a criatividade capilar. As inglesas são ótimas com os penteados e cortes. Nunca é aquele cabelão comprido e sem graça que as brasileiras acham lindo. Mesmo quando o cabelo é comprido, elas inventam tranças, coques, texturas diferentes, cores... não tem monotonia. E dá-lhe tempo e produto para dar conta de tanta inventividade, mas os resultados costumam ser ótimos. Tô doida para tirar umas fotos dessas mocinhas no metrô, mas tenho medo de tomar porrada.
Em breve, fotos por aqui.
Como bem ensinou minha professora da pós, "when you see something once, it's new, if you see twice it's coincidence and if you see three times, it's a trend". Partindo desse princípio podemos afirmar que laranja é o tom de pele tendencinha. Como negócio de sol aqui é meio raro, bronzeamento artificial bomba. Vale tudo, creme, cama de tanning, jet, até coca-cola. O importante é atingir aquele tom de pele horroroso que entrega na hora que você não esteve numa praia paradisíaca nas últimas semanas.
Também sou obcecada com as maquiagens. Não que elas não exagerem o ano todo, mas, amiga, tira essa argamassa do rosto pois tá quente e não tá ornando. Além do tanning, é importante usar muita, mas muita, base, de preferência uns dois tons acima do seu e deixar o pescoço de outra cor. Aí manda ver nas camadas para ficar beeeeem coberto tudo e esconder todas as imperfeições da cara (NOT). Aí, não importa a hora da manhã, mas elas estarão lá de cílios postiços, muito rímel (óbvio), muito lápis preto, muito blush e muito batom. Entendeu o esquema?
As unhas são um fascínio à parte. Primeiro que elas precisam ser postiças e enormes (claro) e com desenhos, apliques, cores sem sentido, um horror. Daí tem as roupas. O lance dos looks são as camadas, muitas camadas, shorts mini, com camisetas por baixo de outra camiseta por cima, um casaquinho, um cinto, colares, bota (oi?) ou havaiana (sempre na ordem e momento errado) e sei lá mais o quê.
A única coisa que realmente invejo é a criatividade capilar. As inglesas são ótimas com os penteados e cortes. Nunca é aquele cabelão comprido e sem graça que as brasileiras acham lindo. Mesmo quando o cabelo é comprido, elas inventam tranças, coques, texturas diferentes, cores... não tem monotonia. E dá-lhe tempo e produto para dar conta de tanta inventividade, mas os resultados costumam ser ótimos. Tô doida para tirar umas fotos dessas mocinhas no metrô, mas tenho medo de tomar porrada.
Em breve, fotos por aqui.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Minha celebração
Daí que na última sexta eu terminei a pós. Entreguei de manhã o meu projeto e fui trabalhar. As calhega do curso queriam comemorar mais tarde e eu estava em dúvida se deveria ou não me juntar às loucas. Quando saí do trabalho chovia e fazia frio (verão de Londres é just sensa), dei uma passada na loja da Apple para checar os e-mails e descobrir o que as moças propunham (pq quem não tem smartphone checa e-mail na loja da Apple quando está na rua).
Gente, a ideia "genial" das gringas era comprar uma camiseta do London College of Fashion (faculdade onde fiz a pós) onde se lê "Better dressed than you since 1906" (oi?) e partir às 17h para um pub crawnling. Ahan, Claudia, senta lá. Olha a minha cara de quem vai gastar 10 libras numa camiseta cafona dessas (onde fica claramente NA CARA de quem usa que essa pessoa não se veste vem bem nem em Londres nem em Nova Iguaçu) e ficar pulando de bar em bar, debaixo de chuva, com um bando de pós-adolescentes histéricas e bêbadas. Não pensei duas vezes, tomei um trem e fui ter com minhas amigas, essas sim pessoas sensatas, uma noite regada à pizza, vinho e clipe dos anos 80 (década que minhas calegas de curso não eram nem nascidas).
Fiquei depois pensando se não era muito esnobismo meu morrer de vergonha alheia sair andando pelas ruas de Londres com um bando loucas usando uma camiseta uó. Mas não, eu tenho certeza que não é um lance de entrar no espírito, é de não se sentir representada ali. Porque eu já saí com um bando de mulheres usando chifrinhos que acendiam numa despedida de solteira. Depois ainda paramos no Clube das Mulheres! Quer dizer, eu sei o que é entrar no espírito, saca? Mas, na boa, "better dressed than you since 1906" me pareceu meio too much. Principalmente se levarmos em conta o modelito que as colhegas desfilam, a massa corrida na cara (que elas chama de maquiagem) e o comportamento galináceo quando bebem. I mean, não orna, entende? Mandei a cláááássica desculpa da dor de barriga e acho que colou.
Gente, a ideia "genial" das gringas era comprar uma camiseta do London College of Fashion (faculdade onde fiz a pós) onde se lê "Better dressed than you since 1906" (oi?) e partir às 17h para um pub crawnling. Ahan, Claudia, senta lá. Olha a minha cara de quem vai gastar 10 libras numa camiseta cafona dessas (onde fica claramente NA CARA de quem usa que essa pessoa não se veste vem bem nem em Londres nem em Nova Iguaçu) e ficar pulando de bar em bar, debaixo de chuva, com um bando de pós-adolescentes histéricas e bêbadas. Não pensei duas vezes, tomei um trem e fui ter com minhas amigas, essas sim pessoas sensatas, uma noite regada à pizza, vinho e clipe dos anos 80 (década que minhas calegas de curso não eram nem nascidas).
Fiquei depois pensando se não era muito esnobismo meu morrer de vergonha alheia sair andando pelas ruas de Londres com um bando loucas usando uma camiseta uó. Mas não, eu tenho certeza que não é um lance de entrar no espírito, é de não se sentir representada ali. Porque eu já saí com um bando de mulheres usando chifrinhos que acendiam numa despedida de solteira. Depois ainda paramos no Clube das Mulheres! Quer dizer, eu sei o que é entrar no espírito, saca? Mas, na boa, "better dressed than you since 1906" me pareceu meio too much. Principalmente se levarmos em conta o modelito que as colhegas desfilam, a massa corrida na cara (que elas chama de maquiagem) e o comportamento galináceo quando bebem. I mean, não orna, entende? Mandei a cláááássica desculpa da dor de barriga e acho que colou.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Esse jeito Jean Charles de ser
Outro dia eu estava no trabalho comendo um sanduíche na escada que dá acesso aos lockers dos funcionários e percebi que tinha uma brasileira falando muito alto (como sói de ser) no celular, também na escada, mas uns dois andares acima de mim. Mesmo sem querer, comecei a prestar atenção na conversa e pelo sotaque e papo entendi que ela deveria ser do nordeste, deveria ter por volta de 40 anos e que trabalhava na loja como faxineira ou algo que o valha.
Como aqui em Londres só tem imigrante, todas as operadores de celular fazem promoções para ligações internacionais a preços bem ridículos, tipo 2 centavos o minuto e a vida do povo é falar com os colega tudo que ficaram. Pelo que entendi, a moça - vamos chamá-la de Maria – falava com uma amiga que estava no Brasil.
Maria desfiava um rosário sobre as dificuldades que vem passando em terras inglesas. Dizia que se soubesse como seria sua vida aqui teria dito para Jesus (não o Todo Poderoso, mas seu marido) que voltassem no mesmo avião que desembarcaram. O problema, segundo ela, era que Jesus não queria nada com a hora do Brasil e quando o bicho pegava em casa nenhum de seus filhos a apoiavam. E para piorar, Raniel (ou algo que o valha), seu filho mais velho, anunciou que vai sair de casa assim que completar 18 anos. “Porque aqui, comadre, é assim, os filhos saem de casa com 18 anos. Mas eu disse para ele, que ele só sai se arrumar uma mulher para casar”. O medo de Maria é que o moleque saia de casa e vire, sei lá, entregador de pizza, e ela não acha justo, uma vez que a razão dela ter vindo de mala e cuia para Londres era justamente dar uma educação boa para os filhos, para eles serem alguma coisa na vida.
Mas Jesus parece que não se dá bem com o moleque e, sem saco de trabalhar e sustentar ninguém, achou muito bom que ele saia logo de casa. Maria tava muito puta com marido e preocupada que a filha mais nova, de uns 13 anos, que não está muito boa no inglês. ( Claro, numa cidade onde 60% das crianças falam outras línguas como língua principal, não é de espantar). E Maria continua: “Você não sabe o que passei desde que cheguei aqui. Jesus nunca quis trabalhar, já eu venho para o serviço até com febre. Todas as roupas que tínhamos quando chegamos eram doadas e eu que tive que me virar para comprarmos uma TV e um DVD. Rezo toda noite para Jesus (aí sim, o filho do Homem) me ajudar a juntar dinheiro para voltar e comprar uma casa no Brasil”. Enquanto isso, ela revelou, Jesus (o marido) vai fazendo uns bicos aqui e ali.
Nessa altura eu já tinha terminado meu sanduíche há tempos e estava mega entretida naquela conversa e, confesso, meio deprimida. Neguinho é foda, né? Não quero partir para o clichê “homem é foda”, mas essa história me lembrou minha avó. A bichinha casou com meu avô contra toda a família, que dizia que ele era um vagabundo. Ela, coitada, caiu no conto e achou que ele seria um homem melhor quando fossem morar no Brasil.
Resultado, saiu de Portugal brigada com a família, deserdada pelo pai e foi ser pobre no Rio de Janeiro, uma vez que é claro que meu avô não mudou nada. E se o homem não curtia um trabalho em Portugal, o que dirá no Rio, com toda aquela abundância. Durante mais de 50 anos (sim, quase 60 anos disso) a velhinha reclamou do dia que casou com meu avô e foi parar no Brasil. A mágoa era tanta, que nem o fato de eu e minha mãe existirem por conta disso acalmava a velha. Morreu aos 100, reclamando ainda.
Para você ver, e ainda tem gente que reclama de mim...
quinta-feira, 2 de junho de 2011
O assunto proibido
Eu fico meio assim de trazer esse assunto para o blog porque já tenho fama de escatológica e tals, mas é uma questão por demais polêmica para ser deixada de lado. Vamos lá, o peido em Londres é assunto sério. Dito isso tratarei de não usar mais essa palavra horrenda e tentarei eufemismos e similares.
Não sei se vocês estão por dentro, mas aqui em Londres as pessoas "se aliviam" em público sem o menor constrangimento. Menina, é um horror! Coisa de chegar em pub e de repente o ambiente ser tomado por uma catinga misteriosa e ser quase impossível respirar. Teve até o caso clássico do metrô, né? Que de tão absurdo nego achou que era mentira minha, mas saiu no jornal e tudo: um cara mandou uma brasa tão forte que a menina sentada do lado vomitou. Tá? Imagina o que aquele vagão não deveria estar?! Acho que as pessoas deveriam ser pelo menos mais solidárias, metrô é uma estufa, gente! Não pode não pensar nos outros assim, ser tão egoísta.
Outro dia eu estava num parque e senti um cheiro familiar, olhei para o lado e tinha um sujeito abrindo um potinho cheio de ovos cozidos. O snack dele tinha cheiro de podre, aí você pensa que se o negócio já tá entrando errado daquele jeito, imagina quando sair?
Mas aqui é assim e uma amiga conta que até uma conhecida dela que não sente cheiro nenhum (tem problema olfativo mesmo) passou maus bocados quando esteve na cidade.
Acho que tem a ver com os hábitos alimentares, bacon, ovo, cerveja, muito pepino e repolho não resultam num bom blend. Mas ainda assim ainda não saquei a parte da total falta de constrangimento de fazer "isso" em público. Me parece que de tão comum que é todo mundo fica à vontade porque sabe que ninguém vai saber de onde veio mesmo. E tem mulher metida nesse negócio aí também, porque eu já presenciei situações que não tinha escapatória, saca? Tipo, "minha filha, não adianta fazer cara de paisagem porque eu sei que foi você que peidou (oops) nesse vagão"
Não sei se vocês estão por dentro, mas aqui em Londres as pessoas "se aliviam" em público sem o menor constrangimento. Menina, é um horror! Coisa de chegar em pub e de repente o ambiente ser tomado por uma catinga misteriosa e ser quase impossível respirar. Teve até o caso clássico do metrô, né? Que de tão absurdo nego achou que era mentira minha, mas saiu no jornal e tudo: um cara mandou uma brasa tão forte que a menina sentada do lado vomitou. Tá? Imagina o que aquele vagão não deveria estar?! Acho que as pessoas deveriam ser pelo menos mais solidárias, metrô é uma estufa, gente! Não pode não pensar nos outros assim, ser tão egoísta.
Outro dia eu estava num parque e senti um cheiro familiar, olhei para o lado e tinha um sujeito abrindo um potinho cheio de ovos cozidos. O snack dele tinha cheiro de podre, aí você pensa que se o negócio já tá entrando errado daquele jeito, imagina quando sair?
Mas aqui é assim e uma amiga conta que até uma conhecida dela que não sente cheiro nenhum (tem problema olfativo mesmo) passou maus bocados quando esteve na cidade.
Acho que tem a ver com os hábitos alimentares, bacon, ovo, cerveja, muito pepino e repolho não resultam num bom blend. Mas ainda assim ainda não saquei a parte da total falta de constrangimento de fazer "isso" em público. Me parece que de tão comum que é todo mundo fica à vontade porque sabe que ninguém vai saber de onde veio mesmo. E tem mulher metida nesse negócio aí também, porque eu já presenciei situações que não tinha escapatória, saca? Tipo, "minha filha, não adianta fazer cara de paisagem porque eu sei que foi você que peidou (oops) nesse vagão"
Assinar:
Postagens (Atom)