sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O frio, o vento, a chuva...

Se tem uma coisa que me tira do sério nessa cidade é o frio. O frio pode até ser legal durante uma semana e para nos arrumarmos de um maneira mais cool (principalmente para gente, que é jeca de país tropical), mas com o tempo ele cansa a pele e a beleza, literalmente.

Eu tenho muitos problemas com o frio. O primeiro é a falta de grana para me vestir da maneira que gostaria, sendo assim tenho somente dois casacos para usar todos os dias e nada bonitinho e quente para usar embaixo dele. Tenho somente uma bota e um tênis (que dependendo da temperatura não segura a onda de jeito nenhum).

Em segundo lugar é um problema ainda mais grave: pele seca + cabelinho fino. A minha pele está uma merda tão grande que fico até desgostosa de tirar a roupa e ter que encarar a realidade. Isso sem falar no meu rosto, que de tão seco e castigado pelo frio e vento dá sinais que ali nascerá em breve minha primeira ruga. Nem preciso dizer que a possibilidade tem me deixado de cabelos em pé. Aliás, esse trocadilho veio bem à calhar, porque, meu amor, meus cabelos andam loucos, selvagens e sem brilho ou forma. O horror, o horror.

Não vou nem mencionar que o frio tb aumenta o apetite e, como a dureza já mencionada impera, praticamente como pão e massa todos os dias. O problema não é nem o aumento de peso, que fatalmente já está dando sinais que vem chegando por aí, mas o tédio de não comer nada diferente ou bom.

Claro, eu poderia comer uma salada, mas cê jura que com os termômetros marcando 4C é uma salda mesmo que vai te satisfazer?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Meus flatmates

(Vou escrever sem acentos pois estou no computador do LCF)

"Como voce foi parar ai neste apartamento?" Essa eh provavelmente a pergunta que mais escuto quando falo onde moro. Pois bem, explicarei como vim parar aqui em Battersea cercada de italianos e um grego. Tenho uma amiga que trabalhou comigo em no Brasil e quando comentei que vinha para Londres ela disse que seu irmao morava na cidade, mas que ele deveria passar dois meses no Brasil, "quer ficar com o quarto dele? Eh barato".

Pronto foi assim. Dai que eu moro num apartamento agradavel de quatro quartos (como muitos podem ter visto no Facebook) com mais tres pessoas: dois italianos e um grego (que na verdade eh do Chipre). Os dois italianos sao garcons e afins e o grego eh chef (foi ele quem me ensinoua fazer o pao).

Alem desses dois italianos que moram aqui, nos temos dois vizinhos no andar de baixo que tb sao italianos e dividem o apt. Isso sem falar nos amigos italianos que voltam e meia passam por aqui ou no vizinho para jantar. Resumindo, eu vivo numa mistura de O Poderoso Chefao com uma novela do Silvio de Abreu. Sim, eles falam alto, xingam, gesticulam. "Madona mia", "ma que catso es..." e "va fan cullo" sao expressoes corriqueiras e volta e meio durante um jantar eles podem esquecer o ingles e comecar a brigar em italiano entre eles. Normalmente o motivo da briga eh algo como: "penne ao pesto nao se faz assim, faz assado, ou na minha vila tal palavra se fala assim, na dele se fala assado" e eles brigam.

Eu me divirto muito e acho ateh que estou aprendendo algumas palavras, mas eles nao querem me ensinar a falar italiano pq, afinal, estao aqui para falar ingles, o que rende momentos muito engracados. Dai nessa hora que me acho no Poderoso Chefao, com aquele ingles cheio de sotaque da Mafia.

Mas olha, devo dizer que essa maluquice soh se da quando todos se reunem. Em casa, onde moro, eh tudo na maior paz e silencio. Fora tudo isso, eles limpam a casa, cozinham e nunca deixam eu pagar quando fazem o ratata do jantar. O que mais eu quero?

Soh que a mamata tem dia para acabar, o tal irmao da amiga esta voltando no fim de marco e eu ficarei homeless. Duvido que ache algum flatmate que cozinhe...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Minha vida de garçonete

Então minha vida agora é isso: fumar cigarro de rolo e ser garçonete, ocasionalmente eu tb estudo na UAL. Ok, isso não é inteiramente verdade, mas eu hoje fui no meu trial para ser garçonete de um restaurante famosinho e descolado aqui. Parece que fui bem, a mulher disse que vai me ligar na quinta para dizer se serei contratada ou não. Olha, difícil não foi, mas tô cansada para c*r****!

Fico pensando que a vida é não é fácil mesmo, né? A pessoa estuda vários anos, trabalha em jornais e tal e termina limpando mesa em Londres... Bueno, é o que tem para hoje. Também não sei se o pagamento vai ser bom e sei que provavelmente minha rotina vai ser trabalhar de 17h até 1h da madruga. How about that? Claro que eu nem vou mencionar o meu magnífico uniforme que consiste em uma túnica muito da escrota e meus colegas franceses engraçadinhos que ficam cheios de gracinhas com a brasileira. A ver como fica.

A parte do cigarro tb não é inteiramente verdade, uma vez que eu nào tenho capacidade para enrolar um cigarro decente. Isso é que dá não ser maconheira, agora fico aqui lutando contra a seda, o tabaco e o filtro para no fim fazer uma perninha de gilo que se apaga depois de dois tragos. Minha vida por um Marlboro! Tomei a decisao que assim que for empregada passarei a comprar Marlboro mesmo, pq parar de fumar é o c*r*****, não obrigada.

E esse foi meu Valentine's Day: ir no curso, comprar uma calça preta para o trabalho e ficar em pé durante horas e horas servindo casais apaixonados a noite toda. Cheers!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A dificil arte de garrar coleguismo

Ontem foi o primeiro dia do curso. Não tivemos aula, mas passamos o dia na UCL para ver como tudo funciona, conhecer o grupo de apoio para quem não tem amigos, para quem tem dislexia, para quem gosta de esporte, enfim, tudo quanto é tipo de maletice que você conseguir imaginar.

O primeiro choque foi me descobrir numa turma de 13 mulheres e nenhum homem. É, bizarro. A segunda bizarrice foi constatar que sou a única velha da turma, todas as cocotas tem entre 21 e 23 anos e eu sou a tiazona. A terceira e pior coisa é que sou a única estudante que não tem o inglês como primeira língua. Tudo inglesinha escrota, um irlandesa, duas canadenses e uma australiana. É foda acompanhar o papo das matracas quando elas se juntam para falar merda (pq é só o que elas falam). Sério, a pessoa que acho que eu curti mais foi uma inglesa feiaparacaralho de New Castle. Esqueci o nome da fulana, mas ela parece mais normal.

Tudo um bando de periguete que quer trabalhar na Vogue para ganhar roupa. Jornalismo que é bom passa longe. Tava conversando com as colegas e citei Gay Talese e nenhuma das biatches tinha noção do que eu tava falando. Tão tá, né cambada, ainda bem que vocês moram aqui e são sustentadas pelos seus pais.

Bueno, a parte boa é que já tenho alguns amigos aqui e não tô atrás de coleguismo de faculdade. A ver o que acontece.

A noite eu fui encontrar uma amiga que trabalha na BBC e descobri que tem um pub dentro do prédio da BBC. É muito deprê isso, mas é engraçado. Tipo, depois do trabalho vc sai e bebe no pub da firma só com os colegas da firma. Para piorar tem uma TV enorme que fica lá ligada na BBC o tempo todo. Tipos, se estourar uma bomba, todo mundo sobe doidão para a redação e vai apurar matéria. Tenho que hang out lá mais vezes para ver se arrumo um trabalho, hehehe

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A difícil arte de ser pobre

Hoje eu tava muito puta da minha vida pq tinha um mogollón de burocracias on-line do curso para resolver e o site da universidade ficava dando pau. Para resolver eu deveria ligar para lá e eles ia me ajudar enquanto eu ficava no computador, ok. Daí eu descobri que estava sem crédito no celular, porra! Daí eu tinha que sair e resolver outras caraleones burocracias na rua, mas tava chovendo e frio, porra! Olhei para o meu “armário” (uma caixa de compensado com meia dúzia de trapinhos) e vi que to praticamente sem roupa e tenho somente um casaco, porra! Sem dinheiro, porra, porra!!!!!!!!!!!!

Bueno, lá fui eu bem irritada na chuva e com frio para o centro. Quando cheguei em Victoria Station o celular tocou e era uma mulher de um restaurante que eu tinha me aplicado na noite de quarta (on line) me chamando para uma entrevista hoje. Tipos, eu tinha que ir num encontro do curso (conhecer a diretora e as outras alunas, sim , só tem mulher) e depois iria na entrevista. Me olhei no espelho de uma vitrine e achei que aquilo não era jeito de se apresentar. Tava tão feliz com a perspectiva de ganhar dinheiro que entrei na loja de departamento (dessas que tem todas as marcas) e fui dar uma olhada descompromissada.

Tava lá na minha e a mulher do estande da Urban Decay me ofereceu free make up. Tipos, ela só ia dar uma maquiadinha no meu olho, de leve. Menina... Ela me deixou gata para caralho, e depois ela disse que se eu comprasse três produtos ganhava uma manicure de graça. Olhei para o estande das manicures e li: 17 libras para fazer a unha. Porra, 45 reais para fazer a unha (sem cutícula!!!!!!!), vou comprar esses cacarecos agora e fazer essa mão. Até porque minha mãe sempre disse que não se vai a uma entrevista de emprego com as unhas feias.

Cara, que merda de manicure, hein?! Sem falar que caguei a porra da unha toda assim que saí de lá, porra! Ainda gastei 40 libras em maquiagem e casaco que é bom para aquecer nada. Tô pobre e sem roupa, grandes merda, hein Olívia?! Para piorar a mulher da entrevista disse que eu tenho que usar uma calça preta e camisa preta (que eu não tenho). Vou lá eu gastar mais dinheiro sem saber se vai rolar algum entrando... Ah, a entrevista foi bizarra, isso é outra história.

Dói mas é gostoso




Acho que chegar em Londres é sempre um choque. Se alguém te falar que chegou aqui chegando podes crer que é mentira. Não que demore tanto para vc curtir e se entender com a cidade, mas o choque inicial é forte e a impressão que se tem é que nunca vai se acostumar com as coisas, nunca vai entender como os postcodes funcionam e sempre vai odiar esse tempo horroroso. Mas o bom é que um dia as coisas começam a ficar mais fáceis e aí, bum, vc se apaixonou por essa vida maluca.

Veja bem, eu não tenho a intenção de viver aqui para sempre, mas não dá para negar que é uma puta experiência viver literalmente no centro do mundo e, mesmo nos momentos de maior solidão (um sábado a noite em casa, um passeio sozinha por um museu lotado de casais e famílias), vc para e pensa: caralho, eu tô aqui, porra! Claro que não dura muito e logo eu to pensando que preferiria estar em casa com os amigos, mas daí depois é outro dia e nevermind.


Mas vou te falar, ô lugarzim para ter lonely people! Outro dia fui jantar na casa dos vizinhos, dois italianos que moram aqui há pouco menos de um ano, e eles contavam como era difícil fazer amizade etc . O mesmo parece acontecer com todo mundo que eu conheço aqui. Minha vontade era apresentar todo mundo e dizer: pronto, agora vcs podem ser amigos e irem juntos ao pub toda semana. Mas a verdade é que Londres é impossível, todo mundo trabalha muito, ou estuda muito ou tá muito preocupado com sua vida e a vida social fica meio de lado, sabe? Então na real é uma contradição: reclama-se da falta de amigos, mas ninguém tem tempo para porra nenhuma. Aí a solução é ir morar com namorado/a e viver uma vida fechada de casal (o que não me parece uma solução ruim numa cidade cara e chuvosa). Infelizmente, meu coração está oversea, so, eu tenho que me contentar com o skype nas lonely nights, hehehe.

Bueno, tudo isso para dizer que sim, é bom, mas sim, é foda. And then again, sim, eu tô curtindo, mas daria a vida por uma faxineira e uma manicure. Falaremos mais sobre esse tópico adiante .

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Xico Sá, eu te amo

"RISQUE MEU NOME DO SEU ORKUT

Você amigo, você fofolete, acaba o casamento, o romance, a novela, o amancebamento, o caso, o rolo, mas continuam acompanhando a vida do(a) ex no Orkut,no Facebook, nas redes sociais mais intimistas.

Um desastre. Podendo evitar, meu caro, minha princesa, evitem. Corra fora rapaz, corra, Lola, corra. Aproveitem que os laços foram cortados no plano real e passem a régua também nas espumas da virtualidade.

O mais é sofrimento à toa, reacender a fogueira do ciúme, masoquismo, perversão, sacanagem. Um risco que não vale mesmo a pena. Depois não digam que foi por falta de aviso.

Qualquer recado ou post, mesmo os mais inocentes ou sem propósito, vira um inferno na terra. Para completar, tem sempre alguém mais sacana ainda e entra no jogo, só por ruindade, dando linha na pipa da maldade.

Prefira não, amigo, caia fora mesmo, Lola.

Não adianta nem tentar dizer que não liga, que é apenas virtual, que leva na buena, que acabou tudo bem e que é civilizadíssimo. Melhor evitar aperreios no juízo.

Você já prestou atenção, meu jovem, na fartura de tragédias amorosas que tiveram como espoleta da discórdia um simples comentário na Internet, uma foto sensual no Orkut, uma alteração no status do relacionamento?

E tem outra: precisa ser muito tranqüilo para não ficar fuçando a vida do(a) entidade chamada ex. Quem resiste ai levante o dedo.

Melhor evitar o brinquedo assassino chamado ciúme, esse satanás de chifre.

Sim, tem que ser forte para cair fora, para bloqueá-lo(a), para dar um tempo inclusive na amizade forçada –não há civilização no fim do amor, a barbárie e a selvageria sempre prevalecem.

Não basta o sofrimento mais do que real da ressaca amorosa? Basta.

Como recomendava a canção das antigas, risque o meu nome do seu caderno, pois não suporto o inferno, do nosso amor fracassado.

Ninguém segura essa onda. Claro que só uma minoria maluca chega à violência, ao inconcebível. A maioria, mesmo silenciosa, sofre horrores, se acaba, o velho pote até aqui de mágoa, como diria o xará Buarque, faça não, caia fora, faz bem para manter a sanidade.

Risque o meu nome do seu Orkut, diga ao Facebook que não estamos mais em um relacionamento sério..."


Roubado do blog do Xico Sá